Eclipse

Eclipse

Carlos de Assumpção


Olho no espelho 
E não me vejo
Não sou eu 
Quem está la

Senhores
Onde estão meu tambores
Onde estão meu orixás
Onde Olórum
Onde o meu modo de viver
Onde as minhas asas negras e belas
Com que costuma voar

Olho no espelho
E não me vejo
Não sou eu 
Quem está lá

Senhores
Quero de volta
Os meus tambores
Quero de volta
Os meus orixás

Quero de volta
Meu pai Olórum
Em seu esplendor sem par
Quero de volta
O meu modo de viver
Quero de volta
As minhas asas negras e belas
Com que costuma voar

Olho no espelho
E não me vejo
Não sou eu
Quem está lá

Séculos de destruição
Sob meus ombros cansados
Estou eu a carregar
Confuso sem norte sem rumo
Perdido em mim mesmo
Aqui neste lado do mar

Um dia no entanto senhores
Eu hei de me reencontrar

Eclipse

Pedro Lino


I look in the mirror
And I do not see myself
That’s not me
Who’s out there

Gentlemen, 
Where are my tambors?
Where are my orishas?
Where, Olórum?
Where is my own way of living?
Where are my lovely black wings,
the ones I used to fly with?

I look at the mirror
And I do not see myself 
That’s not me
Who’s out there?

Gentlemen, 
I want it back
The tambors of mine
I want it back

All of my orishas
I want it all back
My father, Olórum
And your unparalleled splendor 
I want it back
My own way of living
I want it back
My lovely black wings,
the ones I used to fly with

I look in the mirror
And I do not see myself
That’s not me
Who’s out there

Centuries of destruction
Above my very weary shoulders
Here am I, disorientated, aimless,
lost within my own self
at the seaside

Gentlemen! Someday, however,
I hope to find myself once again